Torneiras secas: em 2018, dois bilhões de litros de água são desviados por mês

Só este ano, houve suspeita de fraude em 35 mil imóveis de Salvador – 37% dos casos foram confirmados (Foto: Divulgação/Embasa)
O ano de 2018 vai terminar com 365 dias e é exatamente este o número de casos de interrupção no fornecimento de água em bairros de Salvador. Dos 163 bairros oficiais da capital, 153 deles sofreram, até 19 de dezembro, com a falta d’água. Significa que os avisos sobre a interrupção no fornecimento pela Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa) chegaram para 96% dos bairros de Salvador, além de 13 localidades da cidade.

Atualmente, o Sistema Integrado de Abastecimento de Água de Salvador possui 149 quilômetros de adutoras (tubulações de grande porte que conduzem água para um reservatório), 25 reservatórios de água tratada de grande porte e 5,8 mil quilômetros de rede distribuidora de água tratada – que levam a água aos imóveis.

Segundo a Embasa, todo o sistema é dividido por zonas de abastecimento, de acordo com a localização e proximidade. “É só verificar a extensão da metrópole para compreender essas zonas e o motivo pelo qual, quando um serviço é feito, a depender de seu porte, pode afetar uma área contígua maior ou menor, de uma simples rua até diversos bairros”, diz nota, justificando as interrupções simultâneas.

Em 2017, foram investidos R$ 18,2 milhões em extensão e substituição de redes. Já em 2018,  R$ 12,5 milhões. No entanto, mesmo com a verba anualmente investida na manutenção das redes distribuidoras de água em Salvador e outros municípios baianos, a Embasa destacou que um dos maiores problemas em relação à falta de água são as fraudes no sistema de abastecimento

Segundo a empresa, entre janeiro e agosto deste ano, foram identificados mais de 35 mil imóveis com indícios de irregularidade – 37% dos casos foram confirmados. Assim, a estimativa de prejuízo só em 2017 foi em torno de R$ 100 milhões. 

“As fraudes provocam  perdas físicas e de faturamento de água, representam risco de contaminação da água na rede distribuidora e, ainda, prejudicam o abastecimento de quem paga a conta de água”, concluiu.