Jornalista do "Estadão" é surpreendida em casa pela PF em nova fase da Lava Jato

A jornalista Luciana Amaral, do jornal O Estado de S. Paulo, foi surpreendida na última terça-feira (23/3) pela Polícia Federal (PF) em sua casa, na capital paulista. Os policiais alegaram que foram até o local a mando do juiz Sérgio Moro, como parte das investigações da Operação Lava Jato.

"Como jornalista, já cobri várias operações da PF, mas nunca pensei que acabaria incluída em uma delas", relatou em texto publicado no site do jornal. Luciana conta que a PF apareceu em seu apartamento pela manhã e que estavam atrás, principalmente, de dinheiro vivo.

"Abri a porta ainda com a roupa de dormir e lá estavam três agentes da PF, dois do Paraná e um de São Paulo - nenhum japonês -  além de duas pessoas do condomínio, como testemunhas [...] Eu nem tinha tido tempo de abrir o jornal e saber da nova etapa da operação, nem dos atentados na Bélgica. Eu só conseguia pensar "Logo eu? Logo eu?", contou.

Segundo ela, os policiais quiseram saber há quanto tempo ela morava no apartamento, com o que trabalhava, para qual jornal prestava serviços, se cobria a Lava Jato, se possuía informações privilegiadas sobre a operação, se tinha parentes políticos, ministros ou ligados a empreiteiras e se dispunha de algum cofre em casa.

Depois de mais perguntas e respostas, os agentes pediram que ela abrisse os armários do quarto. Não constataram nada. Assinaram o mandado, notificando não haver nenhuma irregularidade no endereço e informaram que iriam atrás do antigo locatário. "Esse vai ser investigado", disseram.

A jornalista e os policiais chegaram a conversar ainda sobre a situação política do país, a vizinhança do prédio e a viagem dos agentes até São Paulo. Ao se despedirem, disseram: "Gente, vamos embora que ela tem que trabalhar".

"Muito bem. Eu tinha mesmo que trabalhar. Desejo que a investigação siga o seu rumo. Mas uma coisa é certa: este dia vai ficar marcado como o dia em que caí na Lava Jato. De paraquedas", finalizou Luciana.